Flora

Flora
Sendo um prolongamento da cadeia montanhosa Cantábrica(a maior cadeia montanhosa da Península, excepto os Pirinéus), o esboço orográfico das serras do Parque Nacional é pleno em desenvolvimento, conferindo uma riquíssima diversidade de relevo, com variações bruscas de altitude, vales muito encaixados, assim como alguns planaltos de maiores ou menores dimensões, a variadíssimas cotas. O maior acontecimento orográfico do território nacional (que são as serras do Gerês) é ainda zona híbrida de confluência quer do clima atlântico, quer do continental ou mediterrânico.
 

A área do PNPG situa-se na fronteira das regiões Eurosiberiana e Mediterrânica. Segundo Rivas-Martínez (1987), em Portugal a região Eurosiberiana resume-se a uma pequena cunha que se inicia no Alto Minho e termina perto de Aveiro, enquanto que o resto do território se insere na região Mediterrânica. Assim, segundo o mesmo autor, a área em estudo enquadra-se na região Eurosiberiana, subregião Atlântico-Medioeuropeia, superprovíncia Atlântica, província Cantábro-Atlântica, subprovíncia Astur-Galaica, sector Galaico-Português e subsector Geresiano-Queixense. A região Eurosiberiana abrangida pelo parque é caracterizada por dois tipos de biótopos distintos, são eles os bosques de carvalho-alvarinho(Quercus robur), correlacionado com a influência climática ocidental e o bosque de carvalho negral(Quercus pyrenaica),associado ao clima ocidental. Esta divisão foi estipulada por estudos fitossociológicos datados de 1956 por Braun-Blanquet, Pinto da Silva & Rozeira, consagrada pela aliança Rusceto-Quercetum Roboris (caracterizada pela associação Rusco Aculeati-Querceto Roboris S.-bosque de carvalho alvarinho) e pela Quercion Robori-petreae(onde a associação climácea é a Vaccinio myrtilli-Querceto Roboris S.-bosque de carvalho negral). Estes dois biótopos característicos da floresta temperada de caducifólias são no PNPG a expressão máxima do território Português.
 

O bosque de carvalho alvarinho ocorre a baixas altitudes em vales quentes abrigados, tendencialmente virados a sul, perfazendo o piso de vegetação denominado colina.. Como já referido, a associação Rusco aculeati-Querceto roboris S. é cabeça de série da vegetação onde ocorrem além de Quercus robur (carvalho alvarinho), Ruscus aculeatos (gilbardeira), Arbustos unedo (medronheiro), Acer pseudoplatanos (padreiro) ou o Prunus lusitanica (azereiro), só para citar algumas espécies, sem qualquer ordem hierárquica.
 

O bosque de carvalho-negral diferencia-se substancialmente do primeiro por substituir este em maiores altitudes, no chamado piso montana. A influência climática é aqui já continental e não atlântica. A associação característica é Vaccinio myrtilli-Querceto Roboris S. e além do Quercus pyrenaica (carvalho negral) e de Vaccinium myrtillus (arando, mirtilho ou “uva do monte”), Ilex aquifolium (azevinho), Betula celtibérica, Betula pubescens (vidoeiro) ou Taxus baccata (teixo), só para referir alguns arbustos e árvores.
 

Estudos fitossociológicos revelam que a diferenciação entre os dois pisos não ocorre exactamente às cotas de 500-600 m, (valores padrão), podendo o piso colina ocorrer a maiores altitudes em encostas viradas a sul, ao longo de um gradiente ambiental, ou em vales de altitude abrigados. Porém, ainda escasseiam trabalhos relativos à forma (contínua ou descontínua) de variação da vegetação como resposta a esse gradiente ambiental.